Laval para os Lapins (1)

Estamos há quase 3 anos em Laval. Embora já tenhamos há algum tempo certeza que acertamos na nossa escolha, só agora acho que já conhecemos o suficiente para dar opiniões sobre a cidade de uma maneira mais abrangente, mesmo que tenhamos ainda muito que conhecer, felizmente.
Era para ser um postinho, virou um postão, então resolvi dividir por tópicos.
Nos próximos dias vou publicar posts com os seguintes tópicos sobre a cidade que vivemos mais ou menos assim:
– Como viemos parar aqui?
– Depois de quase 3 anos em Laval, por que continuamos aqui?
– Laval = a 5a cidade acima de 100.000 habitantes mais segura do Canadá
– O prefeito
Serviços Públicos e Comunicação com Administração Pública (Municipal)
– Meio-ambiente
– Arborização
– Casas / Arquitetura
– Atenção aos deficientes
– Atenção aos idosos
– Atenção aos imigrantes
– Atendimento às famílias menos favorecidas
– Transporte público
– Rodovias
– Pontes
– Impostos
– Educação
– Bem estar
– Nosso bairro (Pont-Viau)
– Um pouco de turismo -que fazer em Laval
– Diversos
Neste post, que como disse será dividido em partes, vou listar o que EU gosto na cidade que moro com minha família e minha opinião sobre vários temas. Porém (sempre tem que ter o “porém” por conta de quem faz leitura dinâmica!), isso  não quer dizer que os mesmos itens que vou listar e comentar não tenham em outras cidades. Pode até ter, mas foi em Laval que conheci ou usufrui. Só isso.
Também  não quer dizer que estou colocando lenha na fogueira de quem fica fazendo guerrinha infantil de qual cidade é melhor que a outra. Principalmente entre Laval x Montréal x Québec  x Longueil  x Gatineau… Acho bairrismo uma idiotice sem tamanho e não participo disso, principalmente por estarmos falando de cidades tão legais, que tem defeitos e qualidades e que eu pude conhecer e aprendi a me beneficiar com o que elas tem de bom a nos oferecer no momento oportuno (algumas só conheci a turismo…). Cada um que vá morar e ser feliz na cidade que achar melhor.
Aliás, essa estória de bairrismo já deu nos nervos, Lapin-fille até comentou brevemente isso num post dia desses. Impressionante a quantidade de gente que no Brasil passa a vida acreditando que “gente do lugar X é tudo Y” e quando vem pra cá iniciar uma nova vida, perde a chance de deixar para trás coisas tão mesquinhas e melhorar  não só de vida mas de personalidade também. Enfim, isso é assunto pra outro post, já deixei esse aqui grande demais. Vou voltar pro tema! rs

– Como viemos parar aqui?
A primeira vez que ouvi falar de Laval foi no primeiro encontro de imigrantes que participamos, em janeiro de 2007, lá na École de Québec em São Paulo. Era nosso primeiro contato com toda essa historia de imigração e eu tava mais perdida que cego em tiroteio, nem sabia direito o que tava fazendo ali e qual o papel de cada um dos presentes.
Tinha muita gente e cada um começou a se apresentar e dizer em que parte do processo estava.
Até que uma moça bonita, à qual  não lembro o nome (mas não sei porque acho que era Shirley), quando perguntada para qual cidade ela ia (já táva próxima à embarcar),  respondeu enchendo o peito, com orgulho e com um sorriso de orelha à orelha que táva indo para Laval. Ela já tinha passado um tempo na província e conhecido Laval e outras cidades. Embora outros tenham falado sobre as cidades que desejavam se fixar, a maneira como aquela moça respondeu “eu tô indo pra Laval”, demonstrando uma certeza profunda que aquela era onde ela seria feliz, me marcou. Começei a pesquisar o que era e o que tinha “essa tal de Laval” além de outras cidades do Québec.
Umas das coisas que mais buscávamos na nova vida era poder desacelerar.
Mas chegando aqui, ainda  não tínhamos decidido qual cidade morar, se seria Montréal, Laval ou Longueuil. Mesmo com números diversos nas mãos, sem a presença física ficava difícil mesmo definir. Por essa razão, quando chegamos, ficamos em um studio no Plateau para poder ver de perto as 3 cidades. Adoramos as 3. Estava ficando cada vez mais difícil decidir.
Nesse meio tempo participei das oficinas/cursos que o MICC nos direciona quando chegamos aqui. Lá e também em outras fontes diversas ouvia falar de um número “gigantesco” de imigrantes que estava sendo esperado no Québec nos próximos 10 anos e que a tendência de 70 à 80% desses imigrantes era ficar em Montréal.
Esse dado foi marcante e um pouco assustador para nós: temos o habito de planejar o máximo possível a médio e longo prazo (tá certo que muitas vezes falha, inclusive os planos B,C,D…rsrs) e traumatizados com as consequências de crescimento desordenado de grandes cidades, tivemos receio de conviver novamente com todos os problemas de um possível crescimento desenfreado: trânsito, poluição, violência, transporte ineficiente, redução do espaço per capita e areas verdes, diminuição do poder de compra, especulação imobiliária, encarecimento do custo de vida, etc.
Esse fator, aliado aos aluguéis mais caros em Montréal, imóveis menores e em más condições, tiraram muitos pontos de Montréal, fazendo nosso sisteminha de atribuição de pontos pender para a banlieue.
Banlieue significa “periferia”, mas para quem tem em mente que a palavra periferia significa aquele lugar para onde a população carente foge, onde falta saneamento, transporte, infra-estrutura etc, aconselho abrir a mente e despir-se desse pré-conceito. 
Banlieue por aqui pode até ser sinônimo de luxo para uns (na dúvida aproveite o google street view e dê uma voltinha em Laval-sur-le-Lac, por exemplo…) , ou (no mínimo) de qualidade de vida (já virou jargão batido isso, eu sei…).
Laval e muitas outras cidades do Québec tem infra-estrutura e vida próprias. No caso daquelas mais próximas da metrópole, acaba aumentando a possibilidade de escolhas de serviços e infra-estrutura dos habitantes da região.
Esse fator pesou bastante para nós: o fato de ser uma das maiores cidades do Québec e ainda assim uma cidade que guarda características de cidade do interior. Era o porte ideal para os Lapins: nem uma metrópole com todos os problemas que uma metrópole, nem tão pacata a ponto de  não ter nada que fazer e a ponto de tudo que precisar ser obrigado a se deslocar para a cidade grande. Foi aqui em Laval que conseguimos, achar um apartamento grande e reformado, num ótimo ponto, um tamanho igual a que estávamos habituados (não que fosse impreterível, estávamos dispostos a fazer concessões), de fácil locomoção, com acesso fácil ao metrô, com supermercado na porta – queríamos experimentar viver só com transporte público pelo maior tempo possível, então essa facilidade era muito importante ; no mais, foi aqui que achamos um proprietário que se dispôs à alugar para imigrantes recém chegados sem emprego, apesar de certas condições impostas.
Víamos também que Laval oferecia bastante emprego na área administrativa e de TI.
Para completar, estávamos apaixonamos pelos bairros que visitamos, com ruas largas, arborizadas, jardins imensos, muito floridos e bem cuidados, muitos parques, piscinas públicas, muitas bibliotecas…Enfim, depois de colocar prós e contras na balança, nos mudamos para Laval. 

Próximos posts:
– Depois de quase 3 anos em Laval, por que continuamos aqui?
– Laval = a 5a cidade acima de 100.000 habitantes mais segura do Canadá

Abraços
Lapin-Mère
17/05/2011

14 comentários sobre “Laval para os Lapins (1)

  1. Oie! Eu tb adoro Laval!!! Apesar de ter ficado a maior parte lá onde seus judas perdeu as botas de tão longe hua em Fabreville, eu pude aproveitar algumas coisas de Laval – digo isso pq onde eu estava era difícil de me locomover – acho que os melhores pontos são na Cartier, próximo ao metro, enfim, e também como todos meus amigos estavam em Montreal… rs mas eu gostava exatamente disso, de poder aproveitar Montreal como uma cidade “agitada” e depois ir pra casa num lugar mais calmo, com cara de interior e tal. às vezes pegava o bus 61 que dava uma votla ENORME só para poder ver as casinhas cheias de flores etc (à partir da primavera, claro rs) e caminhava até em casa feliz e contente! Onde eu morava, só de carro rs, era muito longe, 1h de bus e metro. Mas enfim, Laval é lugar muito lindo, eu adoro, conheço mais aquela parte longe, Ste Rose, Fabreville – longe pra caramba né? Rs – mas eu adoro mesmo! 🙂

  2. Olá! Chegou em boa hora essa série de posts… Nossa intenção sempre foi chegar e começar em MTL mas é depois?
    Não sei se é tão bom ficar por lá “pra sempre”. E tenho lido algumas coisas q estão me fazendo pensar tbm na banlieue. Vou ficar atento nesses posts. Laval e Longueil estão na mira.

  3. Eu também gosto bastante de Laval, apesar de Morar em Montreal. Eu decidi morar em Montreal porque achei que iria ficar mais fácil para se locomover de transporte público. Mas fiquei impressionada quando fui para Laval visitar alguns amigos e demorei apenas 20 minutos para chegar de Saint-Michel onde moro até a estação final de Laval. Eu comecei a me interessar mais por Laval quando comecei a buscar apartamentos para comprar aqui em Montreal. Como sou uma pessoa curiosa, também busquei por casas em Laval, e nesse momento eu vi que com o preço de um apartamento em Montreal se compra uma casa em Laval. Isso me deixou mais animada e no futuro, quando for comprar meu Home Sweet Home pretendo procurar em Laval.

    Eu também sou contra bairrismo, acho que cada um deve morar onde se sente bem e feliz. Já conheci gente que não gostou de Laval, mas eu sinceramente amei a cidade! Fico muito feliz que vcs estão felizes aí e desejo que vocês continuem gostando a cada dia mais da cidade onde escolheram para viver no Canadá.

    Bjs

  4. Érika do céu, vou perder a vergonha e me confessar por aqui!!! Quando começamos nosso processo de imigração maridon já tinha na cabeça que era Laval a cidade escolhida pra morar…tudo simplesmente pela parte da familia que já estava estabelecida aqui há mais de 30 anos! Agora eu não tinha isso claro pra mim, porque tinha um “pré-conceito” estabelecido na minha cabeça (por experiencia passada-vivida-sofrida)e acreditava que chegando aqui o maridon ia ver como a cidade era e com toda certeza do meu “pré-conceito” ele seria o primeiro a querer mudar correndo pra Montréal…
    Mas depois da primeira voltinha pela cidade eu mudei de idéia rapidinho e tudo ficou claro pra mim que era aqui mesmo que queria morar (Laval conquistou meu coração)! E depois disso tive que me curvar e pedir gentilmente desculpas pra ele…pq vc não tem idéia do quanto falei na cabeça dele pegava até pesado fazendo uso daquelas piadinhas que a gente conhece de cidades “pequenas” no Brasil!!!
    Enfim, agora todos nós gostamos de morar aqui inclusive o Brutus que veio lá do Rive-Sud pra morar em Laval (rsrs)!!!Beijos.

  5. Olá, Lapins!

    Assim como vocês, todas as nossas decisoes sempre penderam para o banlieu…

    Agora que vamos deixar a Ville de Québec por causa do meu trabalho que é em Montréal, optamos pelo Rive-Sud, mais precisamente Ste-Julie. Também nao concordamos com os bairrismos, pois posso nao gostar de Montréal, mas foi aqui que encontrei meu emprego! O que temos que fazer é tornar a vida cada vez melhor e procuro sempre ver o copo meio cheio.

    Nao sei se nos conhecemos pessoalmente, eu acho que nao. Mas penso que nao faltarao oportunidades!

    Abraços,

    Marcos, Mone, Pupa e Duli-Duli
    j’m’appelle caillou

  6. Nós também vamos pra Laval!!!!
    Chegaremos dia 29/07 e estamos suuuuper feliz por esta ser nossa cidade!!!
    Feliz de ter encontrado o blog de vocês! Amei!!
    Abraços

    1. Oi Ela, tudo bem??

      Pior, digo, melhor, é que nao é publicidade, é minha impressao pessoal (diz a apaixonada, suspirando…! rsrsrs).
      Vem que tem uai!!

      Percebi que vc. está lendo os posts dessa série sem fazer “leitura dinâmica”, vendo os links mencionados…Que legal, isso é tao raro! Merci beaucoup e parabéns pela paciência!!

      Abraços
      Erika

      1. Eu acho interessante isso e não tem muita gente que da tanto detalhe. Eu que agradeço a você pelos posts!
        Como ainda esta muito cedo pra ver essa parte de compra de casa (to vendo por curiosidade rs) pode ter certeza que eu vou voltar aqui e ler tudo de novo no futuro, quando na fase de busca pela casa começar de verdade! =)

        Ela.

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