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Escola Pública no Québec (Montréal e Região) – Agora a opinião da mãe

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Como comentou e atualizou dois dias depois, Lapin-Fille no post anterior sobre o assunto, finalmente, depois de muita luta, conseguimos que ela fosse classificada no 5° ano, que corresponde ao 3° ano do secundário brasileiro.
Para conseguir isso, demos tiro para todos os lados, a saber:

1) Desde o primeiro dia de aula, Lapin-Fille se sentia como se tivesse voltado para o jardim da infância. Depois dela começar a conversar em francês, conversamos com o professor de matemática da accueil (na accueil só tem matemática e francês) para dizer a ele que ela achava que poderia passar para o regular. Ele na verdade já estava ciente que a Lapin-Fille tinha total condição de começar freqüentar o regular 5° ano (Regular é ensino normal, para quem é francofono).
De imediato, o professor já passou para o nosso lado da trincheira. Idem professora de francês.

2) Os dois professores citados acima se reuniram com diretora da accueil e começaram a argumentar a favor da Lapin-Fille. Convenceram-na que Lapin-Fille deveria começar freqüentar aulas do regular.
Depois de dois meses de insistência deles, nossas e de Lapin-Fille, finalmente a diretora autorizou ingresso dela na matemática de 4° ano no regular.

3) A professora de matemática do regular também concluiu que Lapin-Fille tinha total condição de freqüentar a matemática do 5° ano. Vale lembrar que no Brasil, Lapin-Fille estaria no 3° ano do ensino médio (de novo: 5° ano daqui). Porém a professora temia que devido ao sistema de pontuação, se ela fosse direto para o 5° ano, não poderia tirar o DES, que é o diploma de estudo secundário. Mesmo assim, confirmou para a diretora que ela podia sim ir para a matemática do 5° ano. Outros imigrantes latinos já tinham comentado que os alunos da América do Sul costumam ter um ensino de matemática muito mais forte lá do que aqui. Confirmamos isso não apenas na escola, mas no dia-a-dia: muita gente aqui tem dificuldade em fazer as 4 operações básicas. Vejo isso freqüentemente no trabalho por exemplo.

4) Nos reunimos com a diretora da accueil, que reafirmou que Lapin-Fille deveria fazer de novo o 4° ano para somar os créditos. Afirmamos a ela que obrigar Lapin-Fille repetir o 4° regular estava absolutamente fora de cogitação para nós, não aceitaríamos isso de forma alguma, principalmente porque não estava acrescentando nada em termos de conhecimento a ela. E que não tinha sido isso que o governo do Québec tinha nos informado no Brasil. Que se soubéssemos que seria assim, teríamos esperado para imigrar só depois que ela tivesse o diploma do 2° grau no Brasil, para simplesmente pedir equivalência aqui. E que preferiríamos voltar para o Brasil se fosse o caso. Entregamos a ela histórico, carga horária (tudo emitido pela escola em inglês) e a tabela do ministério da imigração atualizada mostrando a equiparação do estudo Brasil X Québec. Ela ficou de analisar.

5) Enquanto a diretora analisava, começamos a correr atrás de escola particular como plano B.
Estamos interessados só no diploma do secundário, pois Lapin-Fille quer mesmo ir para o Cegep para depois ir para a facu que escolheu. Sabemos que na escola daqui, dificilmente ela vai aprender mais do que já aprendeu (não estamos sendo arrogantes, apenas foi uma constatação feita comparando o que ela aprendeu e o que ela viu que o povo está aprendendo no 4° ano aqui).
Escola pública no Québec, ao menos nessa área onde estamos (grande Montréal), é péssima. E ao menos comparando com o padrão que está acostumada a classe média brasileira, que cansada de pagar impostos e pagar escola particular para seus filhos, vem para cá achando que vai pagar impostos mas não ter que pagar escola particular. Aliás, escola particular aqui não é cara, comparado com o que pagamos no Brasil. As melhores de Montréal custam CAD 3000,00 por ano. Porém, não costumam aceitar alunos de rede pública, muito menos de accueil. Muito menos se for nos últimos anos do regular (4° e 5°). Existem algumas poucas escolas públicas com um nível melhor, concorridíssimas, precisava se inscrever trocentos anos atrás, fila de espera de aprovados, precisa morar na área destas escolas…enfim, solução a perder de vista…

6) A diretora, depois da forçada de barra, resolveu correr atrás da informação correta. Finalmente uma coordenadora da escola explicou a ela e aos alunos da accueil como funciona:
Existe realmente um sistema de pontos. Mas se o aluno cursa o 5° ano, faz as provas do 5° e passa, isso já concede o DES. Porém, as matérias que faltaram no 4° ano devem ser compensadas. Basta o aluno fazê-las no lugar das aulas optativas, durante o 5° ano mesmo. That´s it, that´s all.  Depois de explicado, entregou um formulário para Lapin-Fille e para outros alunos que também passarão para o 5° ano para que possam escolher as matérias optativas (só para inglês ver, uma vez que eles farão história e geografia do 4° ) .

7) Já fomos visitar algumas universidades aqui para saber como funcionam a candidatura para os cursos, custos, etc.
É importante já começar ver isso pois as inscrições têm de ser feita alguns semestres antes do início do curso. E não tem a menor graça chegar no período de inscrição e descobrir que tinha que ter feito no semestre anterior a matéria X, Y ou Z…

Se eu pudesse dar dicas aos futuros imigrantes, eu diria que:

a) se puderem evitar imigrar com filhos que estejam no que corresponde ao último ano do primário ou secundário québécois, melhor. São grandes as chances dos québécoises, por medo que seu filho não se adapte, obrigá-lo a repetir uma série, que normalmente já é mais fraca do que ele está acostumado. Se já não é fácil para criança / adolescente todo o processo de adaptação em um novo país, imagine carregando mais essa frustração?? Ngn. merece!
Até garderie é um problema para quem tem filhos em idade “transitória” (ali entre os 4 a 6 anos).  A criança é considerada grande para garderie, mas não tem francês e é considerada muito nova para iniciar o primário. Vaga em garderie próximo de casa costuma causar dor de cabeça também.

b) como nem sempre o item “a” é possível, pelo menos que o imigrante venha consciente e com paciência triplicada! Preparado para uma batalha, muitas vezes vã. Uma das coisas mais irritantes aqui, é que as pessoas não dão explicações completas.
É mais ou menos como se vc. perguntasse:
_ O que é Sol?
E eles respondessem:
_ É uma estrela.
E vc pensa: Mas e dai? Eles não falam do sistema solar, da quantidade de vezes que é maior que a Terra, da teoria do Big Bang, que é graças a ele que a Terra é aquecida e pode ter vida, do movimento de translação, das estações do ano e a correlação do Sol, que existem outros “sois…
Quando vc. não tem a menor idéia do que fazer e vc. pergunta como é… ih… prepare-se! Vai rodar muito de um lado para outro inutilmente e ficar fazendo colcha de retalhos com informações que vai colhendo aqui e ali…E o tempo passando…

c) que tomem cuidado com informações fornecidas em palestras de imigração. E importante sonhar, mas sempre mantendo os pés no chão. Fomos em uma única palestra até hoje, e quem dava palestra era uma senhora brasileira bem conhecida dos imigrantes, funcionária do governo do Québec. Se dependesse dela, nunca teríamos emigrado, pq. segundo ela, nosso perfil era “difîcil de ser aprovado” (???). Ainda bem que quando fomos a esta palestra, já estávamos decididos, então não desistimos por conta dos comentários dela. Lembro-me também que ela fazia publicidade sobre a excelente (???)  infra-estrutura e sistema de ensino do Québec. Não foi isso que encontramos aqui e não é isso que lemos nos jornais daqui (A imprensa tem falado bastante sobre evasão escolar, nível baixo de escolaridade no Québec, etc.). Hoje, concluo que a informação só é válida se comparar com o sistema escolar Público brasileiro. Mas imagino que essa senhora sabe muito bem que a esmagadora maioria de imigrantes qualificados não freqüenta escola pública. Fica a dica despretensiosa. E apenas para ser imparcial, o sistema brasileiro é muito ruim, mas algumas raras escolas resistem bravamente e mantém a qualidade do ensino, como por exemplo o “Caca”. São disputadíssimas, exatamente como aqui.

d) não baixem a cabeça, não aceitem o primeiro ”não” como resposta, nem o décimo , nem simplesmente aceitem a estória de que “a gente sempre perde alguma coisa quando imigra”. Perdemos algumas coisas sim, mas porque achamos que vamos ganhar muitas outras. Do contrário, óbvio que não teríamos imigrado.  E educação dos filhos é sem dúvida um dos itens que mais contam quando decidimos imigrar. É peso três quando colocamos na tabelinha os prós e contras da imigração.

Dizem que o que não te mata te fortalece. No caso do “dossier escola”, o que ficou para nós foi a sensação que este provérbio popular é verídico.

Abraços
Lapin-Mère
19/03/2009

9 comentários

  1. O que dizer amiga ??
    Que está certa em genero,numero e grau!!!
    Infelizmente essa é a realidade das escolas publicas do Québec !!
    Mas nós somos mais que isso e conseguiremos mais para nossas filhas .Tenha certeza disso!
    Bjs


  2. Erica,
    parabéns pra vce, Nilson e Babi pelo esforço e persistência, sabemos que foi complicado.
    Mas que bom que deu tudo certo.
    Bjs,
    Bia


  3. Ola Erika,

    Pois é, não passei por isso mas passei pela longa batalha das garderies, e concordo com vc, não tem que desistir no primeiro “não” ou aceitar que seu filho fique em um lugar “meia boca” por que disseram que é assim mesmo!!! Quando cheguei me falaram que a espera por uma garderie era de +/- 2 anos, e eu insisti e consegui uma vaga pro meu filho em 7 meses ( o que pra mim também é muito).

    Vamos em frente,

    Bjo,

    Pri.


  4. Olá,
    Este post foi altamente informativo.
    Parabéns e obrigada… já vou com as anteninhas ligadas. E… o importante é não desistir!
    Até mais!


  5. Mes amis,

    Só hoje vi esse post de vocês… Com relação às palestras, continua a mesma ladainha. Fui a uma na semana passada apenas para perguntar para eles o porquê de meu processe ainda não ter sido convocado para entrevista (pelo menos consegui uma resposta qui n’est pas grave!). Do resto, tudo continua sendo flores…

    Bisous!

    Marcos e Simone


  6. Olá, amigos!
    Procurando informações sobre escolas públicas primárias que permeiam a região de: Collectivité Nouvelle/Lougueuil, cheguei a esse site.
    Chegaremos (eu e minha filha de 11 anos)em Setembro proximo,propositalmente para o inicio das aulas. Já sei q a escola é a “Joseph de Seriguy” mas não sei se tem francização.Alguem teria essa informação?
    Outra dúvida é saber se,ela já precisa estar matriculada já que vai com a “permis de traviel” da mãe. Agradeço, desejando a todos sucesso,saude e paz!


    • Simone, l’École préscolaire/primaire Joseph-De Sérigny
      nao tem classe de accueil para imigrantes.
      O telefone da Comissao escolar da sua regiao é 450-670-0730 e
      o site http://www.csmv.qc.ca/4enseignements/prescolaire_primaire.html
      Quando vc chegar entre em contato com a comissao escolar ou o escritorio da imigracao local,
      eles indicarao qual é a escola que vc deverá inscrever sua filha.

      Boa sorte

      Abs

      Lapin-Père


  7. Olá Lapin-Mère,

    Comecei a acompanhar seu blog há umas duas semanas por indicação de um amigo que está indo para Montreal ainda esse mês. Comecei a pensar seriamente no processo de imigração há um mês e desde então venho procurando me informar de tudo.
    Tenho dois pequenos digamos, diferenciais :) que pesam tremendamente na minha situação, tenho dois filhos (uma menina de 10 anos e um menino de 5 anos) e sou separada, é isso mesmo, quero ir sozinha para o Canadá com os dois :) e confesso que me preocupei bastante lendo esse seu post, mas antes estar preparada para o real do que ficar fantasiando as coisas :) olha, me tira uma dúvida? As escolas aí são em tempo integral? É viável deixar as crianças na escola, ir trabalhar e ao final do expediente pegá-las?
    Parabéns pelo blog! Vou continuar acompanhando.



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